Cida Neves | Comentários indesejados: uma reflexão.
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30 jun Comentários indesejados: uma reflexão.

Neste texto a gente vai falar sobre comentários indesejados, por que eles acontecem, por que eles nos incomodam e como isso tudo funciona. 

Para isso a gente precisa primeiro entender o que acontece tanto na nossa cabeça quanto na cabeça da pessoa que, quando olha outra fora do padrão vigente (seja a pessoa gorda, gay, trans, ou qualquer outro grupo que não está no padrão branco magro hétero), se incomoda a ponto de comentar alguma coisa como:
“Se você não está doente agora vai ficar!”
 
“Isso é doença!”
 
“Não faça apologia à obesidade!”
 
“Não obrigue as pessoas a aceitarem esse estilo de vida, ele não é correto!”
 
“Isso é pecado!”
 
“Você devia ter vergonha!”
 
“Não é possível que você seja feliz vivendo assim!”
“Por que essa pessoa faz isso? Será que ela só tem ódio no coração? Minha família/meu amigo que faz isso não me ama?”
Calma, não é bem por aí.
O nosso inconsciente não gosta de mudanças e, quando criamos uma crença, ele se agarra com unhas e dentes e fica tentando te proteger de não quebrá-la, e toda vez que você vê, assiste ou lê alguma coisa que vá de encontro a essas crenças, você pode sentir raiva, você pode ignorar pedaços inteiros da conversa ou texto, pode bloquear que aquilo aconteceu, e muitas coisas muito loucas que a nossa cabecinha curte fazer para manter a gente sempre com nosso sistema de crenças intacto.
E como formamos essas crenças?
Elas são criadas a partir de tudo o que a gente olha/escuta e acha legal e toma como verdade.
Quando a gente é criança, nossos pais e pessoas que amamos nos ensinam essas “verdades” que se tornam nossas crenças. À medida que a gente cresce, a gente tem experiências e acaba mudando (na marra) e descobrindo novas verdades que se adaptem melhor ao estilo de vida que a gente escolheu.
Sabe aquelas pessoas que se deprimem e até mesmo se matam por não ser uma coisa que é “aceito” pela sociedade ou pela família? Pois é, são pessoas que não conseguiram mudar seu sistema de crenças para se adaptar à sua nova realidade do estilo de vida com que ele se identifica, então elas continuam vendo a verdade do seu interior como “errado” e passam por uma batalha interna terrível.
E você sabe quem é craque em fazer as coisas bem bonitas e atraentes para que pareçam verdades e para que a gente olhe e fale “nossa como eu não pensei nisso antes?”?
Marketing e Publicidade!!
E quem tem acesso a um grupo de marketing e publicidade? QUALQUER EMPRESA/PESSOA QUE POSSA PAGAR.
Existem também aquelas pessoas que são mais persuasivas e tem o “dom” de convencer as outras de que a verdade deles é a verdade verdadeira também: pastores, políticos, psicopatas, alguns líderes de cultos…
Então, é melhor pensar umas nove mil vezes antes de pegar algo como verdade e arquivar no seu sistema de crenças. (Mas ninguém faz isso, todo mundo acredita em qualquer coisa que brilhe, se colocar um cara com um jaleco e um registro de médico então, nossa, vira verdade universal.)
Se você se incomoda muito com comentários assim, é porque aí dentro de você ainda tem a voz do seu superego (que é a voz daquela pessoa que você ama que tem uma crença diferente da sua, ou a igreja, ou a “sociedade”, uma figura de autoridade que você admira) gritando alto, e parte sua não quer discordar dela justamente porque você precisa da aprovação e amor dessas pessoas e acha que só vai conseguir se fizer tudo como elas mandam, então isso cria um conflito interno com suas reais vontades e você fica triste, p* da vida, revoltz etc.
Ok, se você chegou até aqui e eu não te der nenhuma sugestão de como melhorar isso, acho que vai ficar ruim, né? Então vou te dizer o que eu faço: eu paro, respiro e penso: “O que eu quero? No que EU acredito?” E sigo meu coração, porque quem nos ama vai nos amar, mesmo que discorde de nós. Afinal, senão a gente também não ia amar ninguém, né?
Beijos e até a próxima!

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Cida Neves
avidadacida@gmail.com
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